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Motorista Profissional

Motorista profissional CLT tem jornada controlada por tempo de direção (não horas trabalhadas), descanso obrigatório a cada 5h30 de direção e regras específicas pra hora extra, adicional noturno e tempo de espera.

Jornada

8h/dia

44h/semana

Salário típico 2026

R$ 3.500,00

Bruto mensal

Base legal

Lei 13.103/2015

2015

Jornada de trabalho

Jornada base é 8h diárias, mas o controle não é por horas trabalhadas — é por TEMPO DE DIREÇÃO. A cada 5h30 de direção contínua, motorista tem direito a 30 minutos de descanso obrigatório (art. 67-A CTB). Hora extra pode ser feita até 2h/dia, pagas com adicional mínimo de 50% — ou compensadas em banco de horas mediante acordo.

Descanso semanal: Mínimo 35h consecutivas semanais. Em viagem de longa distância (>4h), descanso pode ser fracionado em períodos de no mínimo 11h (Lei 13.103/2015, art. 11).

Remuneração

Não tem piso nacional unificado — segue convenção coletiva da categoria por estado/região. Pisos típicos vão de R$ 1.800 (sem carteira E, agropecuária) a R$ 5.500+ (carreta CE, ADR perigosa, longa distância). Comissões e diárias são parte significativa do bruto em transporte de carga.

Direitos básicos

Férias

30 dias após 12 meses trabalhados + 1/3 constitucional. Idêntico ao CLT padrão.

13º salário

1/12 avos por mês trabalhado. Comissões e prêmios habituais entram na média que compõe o 13º (Súmula 60 TST).

FGTS

8% do bruto + multa de 40% em demissão sem justa causa. Comissões entram na base do FGTS.

Particularidades da categoria

Tempo de espera

Período em que o motorista fica parado aguardando carga/descarga é 'tempo de espera' — NÃO é jornada de trabalho mas é remunerado em 30% da hora normal (art. 235-C, §8º CLT). Diferente do tempo de direção, que é jornada cheia.

Adicional noturno

20% sobre a hora diurna, das 22h às 5h, com hora reduzida (52min30s). Em transporte rodoviário urbano (Lei 13.103) a regra é a mesma. Importante: tempo de espera noturno também recebe adicional.

Adicional de periculosidade vs insalubridade

Transporte de inflamáveis, explosivos ou produtos químicos perigosos (ADR) dá direito a 30% de periculosidade sobre o salário base. NÃO acumula com adicional de insalubridade — o motorista escolhe o mais vantajoso (geralmente periculosidade).

Diárias e ajudas de custo

Diárias para alimentação e pernoite em viagens NÃO integram salário se forem habituais E não ultrapassarem 50% do bruto base. Acima desse limite, viram salário e entram em INSS, IRRF, FGTS e 13º (art. 457 §2º CLT após Reforma 2017).

Toxicológico e CNH

Renovação da CNH categoria C, D ou E requer exame toxicológico — o custo é do empregador (Lei 13.103/2015). Suspensão ou perda da CNH por embriaguez é justa causa para demissão.

O que difere do CLT padrão

A grande diferença é o controle por tempo de DIREÇÃO ao invés de jornada cronológica simples. O motorista pode estar 12h no caminhão mas só 8h dirigindo — o resto é tempo de espera (remunerado a 30% da hora) ou descanso obrigatório (não remunerado se for descanso intrajornada de 11h, remunerado se for intervalo de 30min após 5h30 dirigindo). Isso muda toda a contagem de hora extra e adicional noturno — calcular como CLT comum costuma subestimar o que o motorista tem a receber.

Contexto e prática

A Lei 13.103/2015 nasceu da pressão dos caminhoneiros após a paralisação nacional de 2013 e mudou substancialmente a regulação da categoria. Antes da lei, motorista profissional CLT era tratado pelo regime geral, ignorando que a natureza do trabalho de direção é completamente diferente da de operário fixo — não dá pra calcular jornada como se fosse 8 horas seguidas atrás de uma esteira de produção.

O conceito central que a lei trouxe foi a separação entre 'tempo de direção', 'tempo de espera' e 'descanso'. Cada um tem regra própria de remuneração e contagem de jornada. Empresas que ignoram essa distinção acabam pagando menos do que deveriam — o motorista que dirige 7 horas e fica 4 horas esperando descarga deveria receber tempo de espera, não folga sem remuneração. Reclamatórias trabalhistas por tempo de espera não pago são a queixa mais comum da categoria.

Outro ponto de atrito é a remuneração via diárias. Empresas que pagam, por exemplo, 'salário base R$ 1.800 + diária R$ 100/dia útil' podem estar formalizando R$ 4.000 de bruto mas recolhendo encargos como se o bruto fosse só R$ 1.800. Quando a diária ultrapassa 50% do salário base e é habitual, a Justiça do Trabalho costuma reclassificar o valor como salário pra fins de FGTS, 13º, férias e INSS. O passivo retroativo é alto.

Pra cálculo de salário líquido, motorista é tratado como qualquer CLT — mesma tabela INSS, mesma tabela IRRF. A diferença prática está no que compõe o bruto: comissões, prêmios habituais, periculosidade quando devida, tempo de espera. Tudo isso integra a base de cálculo. Quem só lança o salário base na calculadora costuma achar líquido menor que o real.

Perguntas frequentes

Motorista CLT tem hora extra?
Sim, máximo 2h/dia, com adicional mínimo de 50%. A grande pegadinha é que hora de direção e hora total de trabalho são coisas diferentes — motorista dirige no máximo 8h (com pausa a cada 5h30) mas pode ficar mais tempo no veículo em tempo de espera (a 30% da hora) ou descanso.
Quanto ganha um motorista de caminhão em 2026?
Varia muito por categoria de habilitação, tipo de carga e região. Faixas típicas: motorista CNH C (carga seca regional) R$ 2.500-3.500; CNH D (passageiros / médio porte) R$ 2.800-4.000; CNH E (carreta longa distância) R$ 3.500-6.000+ com diárias. Consulte a convenção coletiva da categoria na sua região.
Diária integra salário?
Só se for habitual E ultrapassar 50% do salário base. Abaixo disso, diária é indenizatória e não entra em INSS, IRRF, FGTS nem 13º. Acima, vira salário pra todos os efeitos. Empresas que pagam grande parte do bruto como 'diária' pra fugir de encargos correm risco trabalhista alto.
Tempo de espera conta como jornada?
Não, mas é remunerado a 30% da hora normal. Tempo de espera é o período em que o motorista fica parado aguardando carga ou descarga sem poder se ausentar — não conta pra hora extra mas tem que aparecer no contracheque separado.
Periculosidade ou insalubridade pra motorista?
Quem transporta inflamáveis, explosivos ou químicos perigosos (ADR) tem 30% de periculosidade sobre o salário base. Não acumula com insalubridade — escolhe a mais vantajosa. Geralmente periculosidade vence porque incide sobre o base inteiro, não sobre o salário mínimo.

Calcular salário líquido para motorista profissional

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